A descoberta do diagnóstico de fibrose pulmonar idiopática costuma vir acompanhada de preocupação, incertezas e medo. Trata-se de uma doença rara, crônica e progressiva, que compromete de forma significativa a capacidade respiratória e a qualidade de vida do paciente. Diante de um quadro que tende a se agravar com o tempo, o acesso ao tratamento adequado é uma questão urgente e vital.
Nesse contexto, o medicamento Ofev (nintedanibe) tem se destacado como uma das principais alternativas para controlar a evolução da doença. No entanto, seu custo elevado — que pode ultrapassar R$ 12 mil por mês — representa um obstáculo real para a maioria das famílias brasileiras. Quando o plano de saúde se recusa a cobrir esse medicamento, muitos pacientes se veem sem saída.
Mas é importante saber que, em muitos casos, a recusa do plano de saúde é considerada abusiva e pode ser revertida judicialmente. Neste artigo, você vai entender quando a cobertura do Ofev é obrigatória, o que fazer diante de uma negativa e como a Justiça tem garantido o direito ao tratamento a quem precisa.
O que é a fibrose pulmonar e quais os riscos para o paciente
A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é uma doença pulmonar rara, grave e progressiva que provoca o endurecimento e a cicatrização dos pulmões. Com o tempo, o tecido pulmonar vai perdendo elasticidade, dificultando a troca gasosa e comprometendo a respiração.
Trata-se de uma condição incapacitante, que costuma piorar de forma contínua, especialmente em pessoas acima dos 50 anos.
Os principais sintomas são falta de ar, tosse seca persistente, fadiga crônica e perda de peso sem explicação. Como é uma doença de difícil diagnóstico, muitos pacientes recebem o tratamento tardiamente — e, por isso, a intervenção precoce com o medicamento adequado pode fazer toda a diferença na qualidade e expectativa de vida.
Para que serve o Ofev e por que ele é tão importante
O Ofev (nintedanibe) é um medicamento inovador e considerado de alto custo, indicado para retardar a progressão da fibrose pulmonar idiopática. Ele atua como um inibidor de tirosina quinase, bloqueando os mecanismos responsáveis pelo processo inflamatório e pela formação de tecido cicatricial nos pulmões.
Estudos clínicos mostram que o Ofev reduz significativamente a perda da capacidade pulmonar ao longo do tempo e pode evitar internações decorrentes do agravamento da doença. Por esse motivo, ele é amplamente prescrito por pneumologistas e está incorporado nas diretrizes terapêuticas mais atuais no Brasil e no exterior.
O problema é que seu custo médio gira entre R$ 12 mil e R$ 15 mil por mês, valor inviável para a maioria das famílias brasileiras.
Daí surge a dúvida: o plano de saúde é obrigado a custear esse medicamento?
Planos de saúde costumam negar o Ofev?
Sim. Infelizmente, muitos planos de saúde ainda negam a cobertura do Ofev, alegando que:
- O medicamento é de uso oral e domiciliar
- Não está incluído no rol de procedimentos da ANS
- Existem outras opções terapêuticas mais baratas
- O contrato não cobre medicamentos de alto custo
Essas justificativas, embora comuns, não são juridicamente válidas quando o paciente possui prescrição médica com justificativa técnica. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) já reconheceu que o rol não é uma lista taxativa, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirma que medicamentos essenciais e registrados pela Anvisa devem ser fornecidos, mesmo que não constem no rol.
Portanto, se o médico prescreveu o Ofev como necessário para o tratamento da fibrose pulmonar, o plano de saúde tem obrigação de cobrir o medicamento.
O que fazer em caso de negativa: passo a passo para conseguir o medicamento
Diante da recusa do plano de saúde, é possível buscar judicialmente o direito ao Ofev. Veja o passo a passo recomendado:
1. Solicite a negativa por escrito: exija que a operadora entregue um documento formal explicando a razão da recusa, com data e protocolo.
2. Tenha em mãos um relatório médico completo: o laudo deve apresentar o diagnóstico de fibrose pulmonar, histórico clínico do paciente, justificativa do uso do Ofev e riscos da ausência de tratamento.
3. Reúna a documentação pessoal e do plano: tenha RG, CPF, carteirinha do plano, contrato, boletos e exames recentes.
4. Procure um advogado especializado em Direito da Saúde: com esses documentos, é possível entrar com uma ação judicial com pedido liminar, que costuma ter resposta em poucos dias, obrigando o plano a fornecer o medicamento com urgência.
Diversas decisões judiciais no Brasil já garantiram esse direito a pacientes em situação semelhante.
Dúvidas frequentes sobre Ofev e plano de saúde
O plano de saúde cobre Ofev automaticamente?
Não necessariamente. Mesmo com prescrição médica, os planos costumam negar a cobertura, mas é possível obter o medicamento por via judicial.
O Ofev está no rol da ANS?
Não. Mas isso não impede a cobertura. A jurisprudência entende que o rol da ANS é exemplificativo, e a ausência do medicamento não justifica a recusa quando há necessidade comprovada.
Preciso tentar outras medicações antes de pedir o Ofev?
Não. Se o médico justificar que o Ofev é a melhor opção, isso basta. A decisão clínica não pode ser substituída por exigências do plano.
Quanto custa o tratamento com Ofev?
O valor pode ultrapassar R$ 12.000 por mês. Por isso, o acesso pelo plano ou via judicial é essencial para a continuidade do tratamento.
Conclusão
A fibrose pulmonar é uma doença grave, progressiva e que exige tratamento contínuo e eficaz. O Ofev representa uma esperança real para retardar a piora do quadro respiratório, mas seu custo elevado torna o acesso difícil sem o apoio do plano de saúde.
A recusa das operadoras é injusta e, em muitos casos, ilegal. Com prescrição médica fundamentada, o paciente tem respaldo jurídico para buscar seus direitos na Justiça — inclusive com decisões favoráveis já consolidadas em diversos tribunais do país.
Se você ou alguém próximo está enfrentando esse problema, não aceite a negativa sem reagir. Com o suporte de um advogado especializado, é possível garantir o tratamento com dignidade, segurança e urgência.

Erick Kobi é advogado especializado em Direito à Saúde, com ampla atuação na defesa dos direitos de pacientes em casos de negativas de cobertura por planos de saúde e acesso a medicamentos de alto custo pelo SUS. Fundador do escritório Kobi Advogados, é reconhecido por sua atuação estratégica e humanizada em ações judiciais que garantem o fornecimento de tratamentos, cirurgias e terapias negadas indevidamente.
