Plano de saúde negou cirurgia? Saiba como entrar com uma ação judicial

Última atualização em 13 de novembro de 2024

Ter uma cirurgia negada pelo plano de saúde pode ser uma experiência angustiante, especialmente quando a intervenção médica é essencial para a saúde e o bem-estar do paciente. Felizmente, a legislação brasileira protege os consumidores em situações como essa, garantindo o direito à saúde e o acesso a tratamentos indispensáveis. 

Se o plano de saúde negou sua cirurgia, este artigo vai te explicar como entrar com uma ação judicial e garantir seus direitos. Vamos abordar os passos a serem seguidos, quais são os documentos necessários e como proceder para assegurar que o tratamento seja realizado de forma rápida e eficaz.

Confira agora!

O que a Lei diz sobre a negativa de cirurgias?

A Lei dos Planos de Saúde (Lei 9.656/98) e as regulamentações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelecem que os planos de saúde são obrigados a cobrir cirurgias e outros procedimentos médicos que estejam previstos no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde

Esse rol, atualizado periodicamente, define os tratamentos mínimos que devem ser oferecidos pelos planos de saúde para os seus beneficiários.

Se o médico que acompanha o paciente prescrever uma cirurgia que esteja prevista no rol da ANS e o plano de saúde recusar, essa negativa pode ser considerada indevida. Mesmo em casos de cirurgias complexas ou de alto custo, o plano de saúde não pode se recusar a autorizar o procedimento, desde que ele seja necessário para o tratamento da condição de saúde do paciente.

Negativa de cirurgias urgentes

Quando a cirurgia é considerada urgente ou emergencial, o plano de saúde tem ainda menos justificativas para negar a cobertura. Nesses casos, a legislação garante que o paciente tenha acesso imediato ao tratamento, sem esperar pela aprovação prévia da operadora. Isso inclui cirurgias para tratar doenças graves, como câncer, problemas cardíacos ou outras condições que coloquem a vida do paciente em risco.

O que fazer quando o Plano de Saúde nega a cirurgia?

Se o plano de saúde negou a cirurgia prescrita, é importante agir rapidamente para garantir que o tratamento seja realizado. A seguir, apresentamos os passos essenciais para recorrer da negativa e, se necessário, entrar com uma ação judicial.

1. Reúna toda a documentação necessária

O primeiro passo para contestar a negativa é reunir toda a documentação médica que comprove a necessidade da cirurgia. Isso inclui:

  • Prescrição médica: O documento emitido pelo médico deve detalhar a necessidade da cirurgia, a condição de saúde do paciente e os motivos pelos quais o procedimento é indicado.
  • Laudos e exames: Exames que confirmem o diagnóstico e justifiquem a intervenção cirúrgica.
  • Histórico médico: Caso o paciente tenha um histórico clínico que reforce a necessidade da cirurgia, é importante anexá-lo à documentação.

Além disso, é fundamental obter uma cópia da negativa do plano de saúde, que deve explicar as razões pelas quais a cirurgia foi recusada. Esse documento será essencial em uma eventual ação judicial.

2. Entre com um recurso administrativo

Antes de partir para a esfera judicial, muitos pacientes optam por tentar resolver o problema diretamente com o plano de saúde. Para isso, é possível enviar um recurso administrativo à operadora, solicitando a revisão da decisão de negar a cirurgia. O recurso deve ser enviado por escrito, acompanhado de toda a documentação médica que comprove a necessidade do procedimento.

Neste recurso, destaque o fato de que o procedimento está previsto no rol da ANS e que o médico responsável considera a cirurgia essencial para o tratamento. 

A operadora do plano de saúde tem um prazo para responder ao recurso, que pode variar conforme o tipo de cirurgia. No entanto, em casos de urgência, o prazo deve ser acelerado.

3. Registre uma reclamação na ANS

Se o recurso administrativo não for aceito, o próximo passo é registrar uma reclamação diretamente na ANS. A agência é responsável por fiscalizar as operadoras de planos de saúde e garantir que os direitos dos beneficiários sejam respeitados.

Para registrar a reclamação, é necessário entrar em contato com a ANS por meio do telefone, site ou aplicativo da agência, informando os dados do plano, do paciente e o motivo da negativa. A ANS avaliará o caso e poderá intervir, obrigando o plano de saúde a fornecer o procedimento.

4. Entre com uma ação judicial

Se as tentativas administrativas falharem ou se a cirurgia for urgente, é possível entrar com uma ação judicial para garantir a realização do procedimento. A ação pode ser movida contra o plano de saúde, com o objetivo de obrigar a operadora a autorizar a cirurgia e, em muitos casos, também solicitar reparação por danos morais.

Passo a passo para ingressar com uma ação judicial:

  1. Contrate um advogado especializado: Um advogado especializado em direito à saúde será capaz de orientar sobre os melhores caminhos para garantir seus direitos. O profissional pode avaliar o caso, analisar os documentos e entrar com a ação judicial, se necessário.
  2. Solicite uma liminar: Em casos de urgência, o advogado pode solicitar uma liminar na Justiça, que é uma decisão provisória concedida de forma rápida. A liminar pode garantir que a cirurgia seja realizada imediatamente, enquanto o processo continua tramitando.
  3. Acompanhe o processo: A Justiça costuma ser bastante ágil em casos que envolvem saúde, especialmente quando a cirurgia é urgente. No entanto, é importante que o paciente ou seus familiares acompanhem de perto o andamento do processo para garantir que os prazos sejam cumpridos.

Direitos dos pacientes: o que você precisa saber

A legislação brasileira garante o direito à saúde como um direito fundamental, previsto na Constituição Federal. Isso significa que o acesso a tratamentos médicos essenciais, como cirurgias, não pode ser negado de forma arbitrária pelos planos de saúde.

Além disso, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) também protege os pacientes em casos de negativa de cobertura. Segundo o CDC, as cláusulas contratuais dos planos de saúde devem ser interpretadas da maneira mais favorável ao consumidor, garantindo o acesso ao tratamento necessário.

Indenização por danos morais

Quando a negativa de cobertura causa sofrimento emocional, atraso no tratamento ou agrava o estado de saúde do paciente, é possível pedir uma indenização por danos morais. A Justiça tem reconhecido, em muitos casos, que a negativa indevida de cobertura configura um abuso, resultando em condenações que obrigam as operadoras de saúde a indenizar os pacientes.

Ter uma cirurgia negada pelo plano de saúde pode ser frustrante e preocupante, mas é importante saber que a legislação brasileira oferece ferramentas para garantir o acesso ao tratamento necessário. Se o seu plano de saúde negou uma cirurgia, siga os passos descritos neste artigo para garantir seus direitos, seja recorrendo administrativamente ou buscando a Justiça.

Caso você precise de orientação jurídica ou apoio para entrar com uma ação judicial, a equipe da Kobi Advogados está à disposição para ajudar. Com expertise em direito à saúde, nossa equipe pode auxiliar você a garantir a realização da cirurgia e a defesa dos seus direitos de forma rápida e eficaz.