Com o avanço da tecnologia e a necessidade de ampliar o acesso à saúde, a telemedicina tornou-se uma ferramenta essencial no atendimento médico, especialmente após a pandemia de COVID-19. Apesar da crescente adesão a essa prática, muitas pessoas ainda enfrentam dúvidas sobre a cobertura pelos planos de saúde.
Este artigo detalha como a telemedicina é regulamentada no Brasil, quais são os direitos dos beneficiários e como garantir acesso a esse serviço.
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O que é telemedicina e como funciona?
A telemedicina é a prática de atendimento médico a distância, que utiliza recursos tecnológicos para realizar consultas, diagnósticos, monitoramento e até mesmo prescrição de medicamentos.
Essa modalidade visa ampliar o acesso à saúde, especialmente em regiões remotas ou para pacientes com dificuldade de locomoção.
Principais serviços oferecidos pela telemedicina
- Consultas online: Atendimento médico em tempo real, por vídeo ou áudio.
- Emissão de receitas e atestados: Documentos digitais com validade legal.
- Monitoramento remoto: Acompanhamento contínuo de pacientes com doenças crônicas.
- Interconsultas: Troca de informações entre médicos para obter uma segunda opinião.
A telemedicina é reconhecida como uma alternativa eficaz e segura, desde que respeite as regulamentações estabelecidas no Brasil.
Telemedicina e planos de saúde: cobertura obrigatória?
A cobertura da telemedicina pelos planos de saúde é regulamentada pela Lei nº 9.656/98 e pelas diretrizes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em 2020, a prática foi regulamentada de forma emergencial pela Lei nº 13.989/2020, permitindo seu uso durante a pandemia e estabelecendo condições para sua continuidade.
O que diz a legislação?
- Planos devem oferecer cobertura para telemedicina: Desde que o serviço seja equivalente ao atendimento presencial, os planos de saúde são obrigados a cobrir consultas e procedimentos realizados por telemedicina.
- Cobertura para tratamentos previstos no rol da ANS: Se o procedimento está listado no rol de cobertura obrigatória, ele também deve ser disponibilizado por meio da telemedicina.
- Equidade no atendimento: Pacientes atendidos por telemedicina devem ter os mesmos direitos de quem utiliza o atendimento presencial.
Quando a negativa de cobertura é ilegal?
Os planos de saúde não podem negar a cobertura de serviços de telemedicina nos seguintes casos:
- Quando o atendimento faz parte das coberturas obrigatórias previstas no contrato.
- Se o serviço é equivalente a um procedimento que seria realizado presencialmente.
- Em situações de urgência ou emergência.
Caso a negativa ocorra, o beneficiário pode contestar administrativamente ou judicialmente.
Quais são os direitos do paciente na telemedicina?
Os pacientes que utilizam a telemedicina têm direitos assegurados pela legislação brasileira e pelos regulamentos da ANS. Conhecer esses direitos é fundamental para evitar abusos e garantir acesso a um atendimento de qualidade.
Atendimento com qualidade e segurança
Os profissionais de saúde que realizam atendimentos por telemedicina devem seguir os mesmos padrões éticos e técnicos aplicados às consultas presenciais. Isso inclui:
- Preservação da privacidade e confidencialidade do paciente.
- Utilização de plataformas seguras para o atendimento.
- Registro adequado de informações no prontuário eletrônico.
Emissão de documentos com validade legal
Os documentos emitidos por telemedicina, como receitas médicas e atestados, têm validade legal e devem ser aceitos em todo o território nacional. Para isso, é necessário que sejam assinados digitalmente por meio de certificados reconhecidos pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil).
Direito à escolha do formato de atendimento
O paciente tem o direito de optar entre o atendimento presencial e o remoto, sempre que possível. Caso prefira a telemedicina, o plano de saúde não pode restringir esse acesso, desde que esteja dentro das coberturas contratadas.
O que fazer em caso de negativa de cobertura?
Se o plano de saúde recusar a cobertura de serviços de telemedicina, o beneficiário deve tomar as seguintes medidas:
1. Solicite a justificativa por escrito
Os planos de saúde são obrigados a fornecer uma justificativa por escrito para a negativa de cobertura. Esse documento deve conter os motivos detalhados e será fundamental para contestar a decisão.
2. Registre uma reclamação na ANS
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é responsável por regular e fiscalizar os planos de saúde no Brasil. Reclamações podem ser registradas pelo telefone 0800 701 9656 ou pelo site oficial da agência.
3. Busque suporte jurídico
Se as tentativas administrativas não resolverem o problema, é possível buscar a Justiça. Muitos tribunais têm decidido em favor dos pacientes, obrigando os planos a oferecer cobertura para serviços de telemedicina. Um advogado especializado em direito à saúde pode ajudar a ingressar com uma ação judicial, incluindo um pedido de liminar para garantir o atendimento imediato.
Exemplos de decisões judiciais favoráveis
A Justiça brasileira tem se mostrado amplamente favorável aos pacientes em casos de negativa de cobertura para telemedicina. Alguns exemplos incluem:
- Cobertura de consultas online: Tribunais têm reconhecido que consultas por telemedicina são equivalentes às presenciais e, portanto, devem ser cobertas.
- Atendimento de urgência: Em casos de emergência, juízes frequentemente determinam que os planos ofereçam cobertura imediata para telemedicina, especialmente em áreas com acesso limitado a serviços presenciais.
- Tratamentos contínuos: Pacientes com doenças crônicas têm obtido decisões que obrigam os planos a manter o acompanhamento remoto.
Esses precedentes reforçam os direitos dos beneficiários e incentivam a busca por soluções legais.
Conclusão
A telemedicina é uma ferramenta indispensável no cenário atual, permitindo que mais pessoas tenham acesso a cuidados médicos de qualidade. Apesar disso, negativas de cobertura ainda são uma realidade enfrentada por muitos pacientes. Conhecer seus direitos e agir de forma assertiva é essencial para garantir o acesso a esse serviço.
Se você está enfrentando dificuldades com a cobertura de telemedicina pelo plano de saúde, a equipe da Kobi Advogados está pronta para ajudar. Com ampla experiência em direito à saúde, oferecemos suporte jurídico completo para assegurar que seus direitos sejam respeitados. Entre em contato conosco para mais informações e orientação personalizada.
Erick Kobi é advogado especializado em Direito à Saúde, com ampla atuação na defesa dos direitos de pacientes em casos de negativas de cobertura por planos de saúde e acesso a medicamentos de alto custo pelo SUS. Fundador do escritório Kobi Advogados, é reconhecido por sua atuação estratégica e humanizada em ações judiciais que garantem o fornecimento de tratamentos, cirurgias e terapias negadas indevidamente.