A radioterapia é um tratamento essencial no combate ao câncer, utilizada para destruir células tumorais e aliviar sintomas da doença. No entanto, não é incomum que planos de saúde neguem a cobertura desse tratamento, alegando razões contratuais ou administrativas. Essa prática, muitas vezes, é ilegal e coloca a saúde e a vida do paciente em risco.
O custo da radioterapia no Brasil pode variar significativamente, dependendo de fatores como o tipo de tratamento, a tecnologia utilizada, a região do país e se o paciente é atendido pelo sistema público ou privado de saúde.
De acordo com um estudo do Observatório de Oncologia, o custo médio dos procedimentos de tratamento do câncer, incluindo quimioterapia, radioterapia e imunoterapia, aumentou 400% entre 2018 e 2022. Em 2018, o custo médio era de R$ 151,33, enquanto em 2022 esse valor subiu para R$ 758,93.
Neste artigo, vamos explicar como recorrer judicialmente contra a negativa de radioterapia pelo plano de saúde, quais são os seus direitos e os passos para garantir o acesso ao tratamento.
Confira!
Quando o plano de saúde deve cobrir a radioterapia?
A Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/98) e as regulamentações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinam que a cobertura de tratamentos como a radioterapia é obrigatória para todos os planos regulamentados.
Isso inclui procedimentos necessários para o diagnóstico e tratamento de doenças listadas no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS.
Tipos de radioterapia cobertos
Os planos de saúde são obrigados a cobrir todos os tipos de radioterapia indicados pelo médico, incluindo:
- Radioterapia convencional: Tratamento tradicional que utiliza radiação para destruir células tumorais.
- Radioterapia conformada 3D: Técnica que direciona a radiação de forma precisa ao tumor, poupando tecidos saudáveis.
- Radioterapia de intensidade modulada (IMRT): Avançada técnica que ajusta a intensidade do feixe de radiação conforme o formato do tumor.
- Radiocirurgia: Indicado para tratar tumores pequenos e específicos, como no cérebro.
Se o médico responsável recomendar um desses tratamentos, o plano de saúde tem a obrigação de autorizá-lo, desde que o procedimento esteja relacionado ao tratamento do câncer ou outras condições cobertas.
Situações em que a negativa é ilegal
A negativa de cobertura é considerada abusiva quando:
- O procedimento é prescrito por um médico e está diretamente relacionado ao tratamento do câncer;
- A radioterapia está no rol da ANS, mas o plano alega que não cobre o procedimento;
- O plano impõe prazos excessivos para a liberação do tratamento, colocando a saúde do paciente em risco.
Segundo o Código de Defesa do Consumidor (CDC), cláusulas contratuais que excluem tratamentos essenciais são consideradas abusivas, e a Justiça costuma decidir em favor dos pacientes.
O que fazer em caso de negativa de radioterapia?
Se o plano de saúde negou a cobertura da radioterapia, é importante agir rapidamente, especialmente se o tratamento for urgente. A seguir, detalhamos os passos que você deve seguir para recorrer.
1. Solicite a justificativa por escrito
De acordo com a legislação brasileira, o plano de saúde é obrigado a fornecer uma justificativa por escrito para a negativa de cobertura. Esse documento deve detalhar o motivo da recusa e é essencial para contestar a decisão.
2. Reúna toda a documentação médica
Certifique-se de ter em mãos:
- Prescrição médica: Documento emitido pelo médico responsável que justifique a necessidade da radioterapia.
- Laudos e exames: Relatórios que comprovem o diagnóstico do câncer e a indicação da radioterapia como parte do tratamento.
- Histórico médico: Informações que mostrem a evolução da doença e a urgência do tratamento.
Esses documentos serão fundamentais para argumentar contra a negativa e ingressar com uma ação judicial, se necessário.
3. Registre uma reclamação na ANS
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é o órgão responsável por regular os planos de saúde no Brasil. Se o plano de saúde negar a radioterapia de forma indevida, registre uma reclamação na ANS, que pode intervir e exigir a autorização do tratamento.
Você pode registrar a reclamação pelo telefone da ANS (0800 701 9656) ou pelo site oficial. Tenha em mãos a justificativa da negativa e a documentação médica ao fazer a denúncia.
4. Entre com uma ação judicial
Se as tentativas administrativas não resolverem o problema, a solução é recorrer à Justiça. Abaixo, explicamos como funciona o processo judicial:
Liminar para garantir o tratamento imediato
Em casos urgentes, como no tratamento do câncer, o advogado pode solicitar uma liminar. Trata-se de uma decisão provisória, concedida rapidamente, que obriga o plano de saúde a autorizar a radioterapia imediatamente. A liminar é fundamental para evitar atrasos que possam comprometer a saúde do paciente.
Indenização por danos morais
Além de garantir o tratamento, o paciente pode solicitar uma indenização por danos morais, especialmente se a negativa causar sofrimento emocional, agravamento da doença ou prejuízo ao tratamento. Tribunais brasileiros frequentemente condenam planos de saúde a pagar indenizações em situações de negativas abusivas.
Direitos garantidos para pacientes oncológicos
A legislação brasileira oferece uma série de proteções aos pacientes que enfrentam o câncer, incluindo:
Constituição Federal
A Constituição Federal assegura o direito à saúde como um direito fundamental. Isso significa que qualquer prática que limite o acesso a tratamentos essenciais pode ser questionada judicialmente.
Lei dos Planos de Saúde
A Lei nº 9.656/98 exige que os planos de saúde cubram tratamentos necessários para condições graves, como o câncer. A radioterapia está inclusa como um procedimento obrigatório, sendo o plano de saúde responsável por custear o tratamento indicado.
Código de Defesa do Consumidor
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) protege os beneficiários contra práticas abusivas dos planos de saúde. Cláusulas contratuais que limitem tratamentos essenciais, como a radioterapia, são consideradas nulas e podem ser contestadas judicialmente.
Exemplos de decisões judiciais favoráveis
A Justiça brasileira tem um histórico de decisões favoráveis aos pacientes em casos de negativas de radioterapia. Alguns exemplos incluem:
- Caso de urgência: Um tribunal obrigou um plano de saúde a autorizar radioterapia IMRT para um paciente com câncer em estágio avançado, concedendo uma liminar em 24 horas.
- Indenização por danos morais: Um plano foi condenado a pagar R$ 20.000 a um paciente pela negativa de radioterapia, considerada abusiva e injustificada.
- Tratamento experimental: Pacientes conseguiram na Justiça o direito a tratamentos modernos de radioterapia, mesmo que ainda não amplamente regulamentados, com base na prescrição médica.
Conclusão
A negativa de cobertura da radioterapia pelo plano de saúde é uma prática que pode ser contestada, tanto administrativamente quanto judicialmente. Se você enfrenta essa situação, saiba que a legislação brasileira garante o direito ao tratamento e que a Justiça tem sido amplamente favorável aos pacientes oncológicos.
Se precisar de ajuda para recorrer contra a negativa, a equipe da Kobi Advogados está pronta para oferecer suporte jurídico completo. Com experiência em direito à saúde, podemos ajudar você a garantir seu direito ao tratamento e buscar a reparação por eventuais danos sofridos.
Não hesite em entrar em contato para proteger sua saúde e seus direitos!
Erick Kobi é advogado especializado em Direito à Saúde, com ampla atuação na defesa dos direitos de pacientes em casos de negativas de cobertura por planos de saúde e acesso a medicamentos de alto custo pelo SUS. Fundador do escritório Kobi Advogados, é reconhecido por sua atuação estratégica e humanizada em ações judiciais que garantem o fornecimento de tratamentos, cirurgias e terapias negadas indevidamente.