A fertilização in vitro (FIV) é uma técnica avançada de reprodução assistida que tem ajudado milhares de casais com dificuldade para engravidar. No entanto, o alto custo desse procedimento levanta questões importantes sobre a obrigatoriedade de cobertura pelos planos de saúde.
De acordo com o Relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), divulgado pela Anvisa, em 2021, foram realizados 45.952 ciclos de fertilização in vitro (FIV) no Brasil, um aumento de 32,7% em relação ao ano anterior. Além disso, foram congelados 114.372 embriões, indicando uma recuperação no número de procedimentos e uma demanda crescente por técnicas de reprodução assistida no país.
Esses números refletem o aumento do interesse e da acessibilidade da FIV entre casais que enfrentam dificuldades para engravidar.
Neste artigo, explicamos o que a legislação brasileira prevê, quais são os direitos dos beneficiários e como agir em caso de negativa de cobertura.
Confira agora!
O que é a fertilização in vitro?
A fertilização in vitro (FIV) é um método de reprodução assistida no qual o óvulo da mulher é fertilizado pelo espermatozoide em laboratório. Após a fertilização, o embrião é transferido para o útero da paciente, aumentando as chances de gravidez.
Quem pode se beneficiar da FIV?
A FIV é indicada para casais que enfrentam dificuldades para engravidar por causas como:
- Fatores femininos: Obstrução nas trompas de falópio, endometriose ou problemas hormonais.
- Fatores masculinos: Baixa contagem ou qualidade dos espermatozoides.
- Condições médicas: Infertilidade sem causa aparente após tentativas de concepção natural.
Embora seja eficaz, o custo elevado do procedimento faz com que muitos casais dependam do suporte dos planos de saúde ou do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os planos de saúde são obrigados a cobrir a fertilização in vitro?
A Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/98) estabelece diretrizes sobre a cobertura de tratamentos médicos pelos planos de saúde, mas a fertilização in vitro não está incluída no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) como cobertura obrigatória.
O que diz a legislação?
De acordo com a legislação atual:
- Planos individuais e coletivos: Não são obrigados a cobrir o procedimento completo de fertilização in vitro.
- Tratamentos para diagnóstico de infertilidade: Os planos são obrigados a cobrir exames e consultas para diagnosticar as causas da infertilidade, como exames hormonais e ultrassonografias.
Coberturas adicionais em planos específicos
Alguns planos de saúde oferecem coberturas adicionais para procedimentos de reprodução assistida. É importante verificar o contrato para saber se há previsão para cobertura parcial ou total da FIV.
Quando a negativa de cobertura pode ser contestada?
Em casos de negativa, o consumidor pode buscar a Justiça para contestar a decisão, especialmente se:
- O plano de saúde ofereceu cobertura parcial e recusou parte essencial do tratamento.
- O paciente tem uma condição médica grave que justifica o procedimento, como endometriose severa.
Direitos do paciente na fertilização in vitro
Mesmo que a FIV não seja de cobertura obrigatória, os pacientes têm direitos garantidos por lei que podem facilitar o acesso ao tratamento.
Cobertura de exames e consultas
Os planos de saúde devem cobrir todos os exames e consultas necessárias para investigar as causas da infertilidade. Entre os procedimentos cobertos estão:
- Ultrassonografia transvaginal;
- Histerossalpingografia (exame para avaliar as trompas);
- Espermograma;
- Exames hormonais.
Cobertura de medicamentos
Embora a FIV em si não seja obrigatória, há decisões judiciais que obrigam planos de saúde a cobrir medicamentos essenciais ao tratamento. Esse ponto pode ser explorado judicialmente, dependendo do caso.
Acesso pelo SUS
No Brasil, o SUS oferece fertilização in vitro gratuitamente em clínicas e hospitais de referência. Embora o número de vagas seja limitado, essa pode ser uma alternativa para casais que não podem arcar com os custos.
Como agir em caso de negativa de cobertura?
Se o plano de saúde negar cobertura para a fertilização in vitro ou procedimentos relacionados, o paciente pode adotar as seguintes medidas:
1. Solicite a justificativa por escrito
O plano é obrigado a fornecer uma justificativa formal para a negativa. Esse documento será essencial para contestar a decisão.
2. Verifique o contrato
Leia o contrato do plano de saúde para confirmar se há cláusulas que preveem ou excluem a cobertura para reprodução assistida. A ausência de informações claras pode ser usada como argumento judicial.
3. Registre uma reclamação na ANS
A ANS regula os planos de saúde no Brasil e pode ser acionada para intervir em casos de negativa abusiva. O registro pode ser feito pelo telefone 0800 701 9656 ou no site oficial da agência.
4. Busque orientação jurídica
Se as tentativas administrativas não resolverem o problema, é possível ingressar com uma ação judicial. Em muitos casos, os tribunais têm decidido em favor dos pacientes, especialmente quando o procedimento é justificado por questões médicas graves.
5. Ação judicial com pedido de liminar
Em casos urgentes, como quando o adiamento do tratamento pode comprometer as chances de sucesso, é possível solicitar uma liminar para garantir o atendimento imediato.
Casos reais e jurisprudência
A Justiça brasileira tem se mostrado favorável em muitos casos envolvendo fertilização in vitro. Alguns exemplos incluem:
- Cobertura parcial: Planos obrigados a cobrir medicamentos ou exames essenciais para a FIV.
- Condições médicas graves: Decisões judiciais que obrigam planos a custear o procedimento em casos de endometriose severa ou outros fatores de risco.
- Indenizações por danos morais: Casos em que a negativa de cobertura causou sofrimento emocional ao casal.
Esses precedentes reforçam a importância de buscar os direitos legalmente assegurados.
Conclusão
Embora os planos de saúde não sejam obrigados a cobrir integralmente a fertilização in vitro, os pacientes têm direitos assegurados para exames, consultas e, em alguns casos, medicamentos. Além disso, decisões judiciais favoráveis mostram que é possível contestar negativas abusivas e garantir o acesso ao tratamento.
Se você está enfrentando dificuldades com o plano de saúde ou precisa de suporte jurídico para garantir seus direitos, a equipe da Kobi Advogados está pronta para ajudar. Entre em contato conosco para mais informações e orientação personalizada.
Erick Kobi é advogado especializado em Direito à Saúde, com ampla atuação na defesa dos direitos de pacientes em casos de negativas de cobertura por planos de saúde e acesso a medicamentos de alto custo pelo SUS. Fundador do escritório Kobi Advogados, é reconhecido por sua atuação estratégica e humanizada em ações judiciais que garantem o fornecimento de tratamentos, cirurgias e terapias negadas indevidamente.